O que é fetiche?
Para o leitor que nunca ouviu falar sobre o assunto, de uma maneira simples e resumida, um fetiche é um objeto inanimado ao qual atribuímos propriedades sobrenaturais benéficas para o seu possuidor. Um amuleto ou um talismã (esses objetos que nos dão sorte) são sinônimos de fetiche.
O que é fetichismo?
Fetichismo é a adoração de um objeto dentro de um contexto religioso ou místico.
O que é Fetichismo sexual?
O fetichismo sexual é uma excitação sexual causada pelo contato visual e/ou físico de um objeto (como botas, sandálias, luvas, meias colantes etc.), de uma parte específica do corpo (como os seios, as pernas, as nádegas, o umbigo, o nariz, os pés etc.) ou de um material (como o couro, o látex, a seda, o veludo etc.).

Essa excitação sexual também pode ser causada pelo comportamento das pessoas envolvidas. Uma mulher pode se excitar, por exemplo, com o fato dela se sentir indefesa diante do desejo masculino que se manifesta com algumas imposições e às vezes até com a violência.
Fetichismo sexual é doença?
Muitas pessoas, inclusive psicanalistas e sexólogos, consideram o fetichismo sexual como uma variação normal da prática sexual.
Porém, a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), considera o fetichismo como um desvio sexual ou uma parafilia (nome científico dado às fontes de prazer sexual que não estão ligadas com a penetração em si).
Segundo o CID 10, o fetichismo sexual é classificado como um “transtorno de preferência sexual” juntamente com a pedofilia, o sadomasoquismo, o exibicionismo, o voyeurismo e outros transtornos de origem sexual.
Ainda segundo a classificação CID 10, o fetichismo, que implica a utilização de objetos inanimados como estímulo do comportamento e do desejo sexual, se aplica somente aos objetos que não são originalmente destinados ao estímulo sexual, como um vibrador, por exemplo.
Sendo assim, o fato de uma pessoa usar vibradores, anéis penianos ou plugs anais por exemplo, não significa que ela seja fetichista.
Além da Classificação Internacional de Doenças (CID 10), existe também o Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, que é um guia que contém informações que podem auxiliar no diagnóstico preciso e no tratamento de doenças mentais.
Esse guia é elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria e é utilizado por psiquiatras, psicólogos e profissionais da saúde no mundo inteiro.
Segundo o Manual, O termo parafilia
“representa qualquer interesse sexual intenso e persistente que não aquele voltado para a estimulação genital ou para carícias preliminares com parceiros humanos que consentem e apresentam fenótipo normal e maturidade física.”
E o que isso quer dizer?
Isso quer dizer que a pessoa que tem parafilia, não busca o prazer sexual na relação sexual convencional (quer dizer, na relação sexual em si). Ela busca o prazer sexual em objetos, em situações ou em lugares que não têm necessariamente nada a ver com a estimulação genital.
Ainda segundo o Manual, para ser considerado uma parafilia, é necessário que essa forma substituta de sentir prazer seja praticada de maneira repetitiva e que essa seja a única forma que a pessoa tem de sentir prazer sexual.

O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais indica que as parafilias geralmente começam na puberdade, mas os fetiches podem se desenvolver antes da adolescência.
Ainda segundo o Manual, não há relatos sistemáticos da ocorrência de transtorno fetichista no sexo feminino. Em geral, esse transtorno é relatado quase exclusivamente em indivíduos do sexo masculino.
Quais são as parafilias mais comuns?
Algumas parafilias são mais frequentes do que outras, como por exemplo:
- o voyeurismo (espiar outras pessoas em atividades privadas),
- o exibicionismo (expor os genitais),
- o frotteurismo (tocar ou esfregar-se em indivíduo que não consentiu),
- o masoquismo sexual (passar por humilhação, submissão ou sofrimento),
- o sadismo sexual (infligir humilhação, submissão ou sofrimento),
- a pedofilia (foco sexual em crianças),
- o transvestismo (vestir roupas do sexo oposto visando excitação sexual)
- e o fetichismo (usar objetos inanimados ou ter um foco altamente específico em partes não genitais do corpo).

Existe outras parafilias menos comuns como por exemplo:
- a necrofilia (relação sexual com cadáver),
- a zoofilia (prazer sexual com animais),
- a formicofilia (pequenos animais que percorrem o corpo todo, principalmente nas partes genitais: normalmente, os pequenos animais utilizados são as formigas, as lesmas e os caracóis),
- a urofilia (contato e ingestão de urina… o famoso Golden Shower : ) ),
- a coprofilia (cheiro, visão e contato com os excrementos humanos),
- a coprofagia (cheiro, visão, contato e ingestão dos excrementos humanos),
- o Fast Fucking (introdução da mão e até do antebraço inteiro dentro do ânus), e por aí vai… No final desse artigo, você pode ver uma lista enorme de parafilias.

Fetichismo sexual é parafilia
Como a gente viu até agora, a parafilia é substituta do prazer sexual, ela é a única forma de obter prazer sexual e ela é usada somente para obter prazer sexual.
Um dos grandes problemas da parafilia, é que o comportamento sexual do parafílico é caracterizado por impulsos sexuais intensos e recorrentes.
Como algumas parafilias possuem características nocivas (quer dizer que elas podem causar danos à outras pessoas), essa compulsão da parafilia pode acabar transformando um desvio sexual em um delito sexual, como é o caso por exemplo da pedofilia, da necrofilia, do exibicionismo e outros. E é por isso que é importante distinguir o que é um desvio sexual (que é uma parafilia) e o que é um crime sexual (que é um delito).
O desvio sexual não é necessariamente por si só um delito. Se um casal decide experimentar coisas novas, como comer cocô ou enfiar o antebraço dentro do ânus um do outro, isso não é nenhum crime. Se o casal tenta coisas diferentes e depois passa para outro tipo de experiência, mesmo que não seja muito convencional, a gente não pode nem falar que isso é uma parafilia, quanto mais um delito.
Passa a ser um delito sexual, quando o impulso do parafílico leva ele a envolver outras pessoas que não deram o seu acordo. Como é o caso por exemplo do exibicionista e do pedófilo.
Um outro ponto importante sobre as parafilias, é que segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, para que uma parafilia seja considerada uma patologia (uma doença), ela tem que respeitar dois critérios:
A – Presença de impulsos sexuais intensos e recorrentes por período de pelo menos 6 meses.
B – Os impulsos sexuais ou comportamentos devem causar sofrimento ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em qualquer outra área da vida do indivíduo ou ainda deve causar danos ou risco de danos à outra pessoa.
Quando os dois critérios são respeitados, a parafilia é considerada uma patologia e é chamada de Transtorno Parafílico. Mas, os dois critérios devem ser respeitados.
Se o indivíduo respeita o critério A, mas não respeita o critério B, quer dizer, a parafilia dele não causa transtornos na sua vida e nem danos à outras pessoas, pode-se considerar que a pessoa tem parafilia, mas não tem transtorno parafílico. E nesse caso muitas vezes nem uma intervenção clínica é necessária.
Então,
Se você gosta de um pouquinho de força na hora do sexo, se você gosta de tapa na cara, tapa na bunda e puxão de cabelo, você não é masoquista.
Se você gosta de usar vibradores e outros brinquedinhos eróticos para variar um pouquinho a relação, você não é fetichista.
Se você gosta de beijar os pés da sua mulher durante as preliminares, você também não é fetichista.
E, se você é homem e gosta de se vestir de mulher durante o carnaval para sair no bloco das piranhas, não… você não é um fetichista transvéstico!

Mas, leia com atenção os 7 índices que indicam que o seu fetiche pode ser um transtorno fetichista. Caso você se identifique com esses sintomas, então sugiro que você procure ajuda.
1 – Se você usa substitutos sexuais não muito convencionais (objetos inanimados, partes específicas do corpo, animais, excrementos, lugares estranhos etc.)
2 – Se você só sente prazer usando esses substitutos
3 – Se você está em um relacionamento amoroso recíproco e você apresenta alguma disfunção sexual quando esses substitutos não estão disponíveis durante as preliminares ou o coito
4 – Se você prefere atividade sexual solitária associada à(s) sua(s) preferência(s) fetichista(s) mesmo durante envolvimento em relacionamento amoroso e recíproco importante
5 – Se você tem tendência a roubar e colecionar seus objetos de desejo fetichistas particulares
6 – Se o uso dos substitutos sexuais te faz sofrer, te causam angústia, atrapalham o seu desempenho ou causam danos ou risco de danos à outras pessoas
7 – Se esses impulsos sexuais são intensos e recorrentes e que você já está sofrendo por causa deles por período de pelo menos 6 meses
Não esqueça: ter um fetiche é uma coisa. Praticar gestos fetichistas envolvendo outras pessoas é outra completamente diferente. Muitas vezes, as suas fantasias e a sua imaginação podem te levar a lugares sombrios e eticamente comprometedores.
Fique sempre atento a todo e qualquer índice ou sintoma (físico ou mental) diferente que aparece no seu corpo ou no seu comportamento. Se você perceber que alguma coisa não está te fazendo bem, procure ajuda profissional o quanto antes. Lembre-se que o medo e a vergonha só atrapalham e atrasam o seu tratamento e a sua cura.
Eu espero que esse artigo tenha sido útil pra você!
Como prometido, aqui está alista de inúmeras parafilias. Será que você tem alguma?
